Quando Mãe me tornei

Quando Mãe me tornei,

me encolhi, me agigantei.

Me enfraqueci, me fortaleci.

Me amedrontei, me encorajei.

 

Quando Mãe me tornei,

senti aquela melancolia, misturada com aquela alegria,

de que só quem é mãe sabe dizer.

 

Quando Mãe me tornei,

chorei por culpa, chorei de dor, mas sobretudo chorei por amor.

 

Quando Mãe me tornei,

adquiri mãos fortes para proteger e mãos macias para acalentar.

Adquiri voz firme para repreender e voz doce para ninar.

 

Quando Mãe me tornei,

aprendi a reconhecer o choro da dor, da fome, da birra.

E a sentir pelo cheirinho da boca do neném se algo não está bem.

 

Quando Mãe me tornei,

virei heroína, bailarina,

virei leoa, cantora, gangorra,

virei sereia, princesa,

virei arteira.

 

Quando Mãe me tornei,

eu renasci, me descobri.

Eu me encontrei.

 

Autoria: Dani Bondioli

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